A tua mão pálida e ausente
tracejando bênçãos sobre meus sonhos aflitos.
Onde estás que apenas te suponho?
Na raiz dos meus pensamentos...
Na força obscura dos meus desejos melhores...
És talvez esse vôo desgarrado de esperanças,
que há em mim.
És talvez esse veleiro em mar alto à procura de náufragos
que há em mim.
Na minha vida és como uma ficção ou a lenda de um milagre.
Algo que ficou intangível e suspenso.
Entretanto eu guardo na boca a impressão do teu seio
e o gosto do teu leite e do teu sangue.
As palavras, a ternura e os devaneios teus que se fundiram no silêncio
repousaram na minha carne, certamente.
A tua face esta voltada para mim em mim mesmo, -
e talvez só agora que a reconheci
eu possa me chamar de teu filho.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
In-capacidades
Lentamente, o café se espalha pela folha em branco.
Além da obra, a qual nunca acaba,
Do barulho, da sujeira, das pessoas todas,
Da doença que se espalha pela rua,
Pelos jardins vizinhos,
Pelas vidraças negras da casa,
Além, um dia avistou um horizonte.
E, com a mão trêmula,
Desespera-se por jamais ser capaz
De descrevê-lo.
Carla Pozzatti
Além da obra, a qual nunca acaba,
Do barulho, da sujeira, das pessoas todas,
Da doença que se espalha pela rua,
Pelos jardins vizinhos,
Pelas vidraças negras da casa,
Além, um dia avistou um horizonte.
E, com a mão trêmula,
Desespera-se por jamais ser capaz
De descrevê-lo.
Carla Pozzatti
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Florbela Espanca - Confissão
Aborreço-te muito. Em ti há qualquer cousa
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa,
Como em doirada taça algum amargo fel.
Odeio-te também. O teu olhar ideal
O teu perfil suave, a tua boca linda,
São belas expressões de todo o humano mal
Que inunda o mar e o céu e toda a terra infinda.
Desprezo-te também. Quando te ris e falas,
Eu fico-me a pensar no mal que tu calas
Dizendo que me queres em íntimo fervor!
Odeio-te e desprezo-te. Aqui toda a minh’alma
Confessa-to a rir, muito serena e calma!
……………………………………………………..
Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!…
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa,
Como em doirada taça algum amargo fel.
Odeio-te também. O teu olhar ideal
O teu perfil suave, a tua boca linda,
São belas expressões de todo o humano mal
Que inunda o mar e o céu e toda a terra infinda.
Desprezo-te também. Quando te ris e falas,
Eu fico-me a pensar no mal que tu calas
Dizendo que me queres em íntimo fervor!
Odeio-te e desprezo-te. Aqui toda a minh’alma
Confessa-to a rir, muito serena e calma!
……………………………………………………..
Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!…
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Meu dia
22 horas, não fui à aula,
Não trabalhei, sequer bebi ou pensei em comer.
Tive alguma esperança de que a dor
Física fizesse esquecer essa coisa por dentro,
Coisa que nem descrevê-la sou capaz.
Tudo dentro de mim grita, agoniza,
Tenta passar pelos poros, pele ou olhos e sair
Pra fora, não consegue.
Como eu, prisioneira em mim mesma,
Riscando dias na parede enquanto tudo vai
Ficando, ficando velho, seco, gelado, gasto, podre.
Essas coisas ruins do presente que vão
Transformando-se em passado lentamente intensificando
Essa coisa que não passa
Não passa
Não passa
Não passa
E eu insisto insisto
Vou destruindo todas as paredes da prisão,
Matando o que, por algum motivo, ainda vive.
Isolamento, sempre que possível,
Faz-me sentir menos vulnerável
A tudo isso que eu tanto odeio e que insiste em acompanhar-me.
Está acabando.
(comigo)
Não trabalhei, sequer bebi ou pensei em comer.
Tive alguma esperança de que a dor
Física fizesse esquecer essa coisa por dentro,
Coisa que nem descrevê-la sou capaz.
Tudo dentro de mim grita, agoniza,
Tenta passar pelos poros, pele ou olhos e sair
Pra fora, não consegue.
Como eu, prisioneira em mim mesma,
Riscando dias na parede enquanto tudo vai
Ficando, ficando velho, seco, gelado, gasto, podre.
Essas coisas ruins do presente que vão
Transformando-se em passado lentamente intensificando
Essa coisa que não passa
Não passa
Não passa
Não passa
E eu insisto insisto
Vou destruindo todas as paredes da prisão,
Matando o que, por algum motivo, ainda vive.
Isolamento, sempre que possível,
Faz-me sentir menos vulnerável
A tudo isso que eu tanto odeio e que insiste em acompanhar-me.
Está acabando.
(comigo)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Farol dos esquecidos
Um velho barco no porto encardido,
Vou-me misturando ao cheiro
Podre e ao vento forte
Que deforma meu rosto, corpo,
Nem meus eram mais, e se foram
Sinto uma rede envolta
Em tudo o que sinto
Uma rede, peixes, cinzas, peixes
Então é noite no cais
A escuridão que envolve o mundo
Converge sobre mim
E o farol ou a luz no fim do túnel
Do mar do mundo, no fim de algo
Todas as luzes apagaram-se
Então o escuro de fora mistura-se
Ao escuro de dentro
E aos poucos tudo vai caindo caindo caindo
E eu caindo e o farol esquecido e o barco
Náufragos que não conheceram um porto
Porque alguém esqueceu do farol...
Vou-me misturando ao cheiro
Podre e ao vento forte
Que deforma meu rosto, corpo,
Nem meus eram mais, e se foram
Sinto uma rede envolta
Em tudo o que sinto
Uma rede, peixes, cinzas, peixes
Então é noite no cais
A escuridão que envolve o mundo
Converge sobre mim
E o farol ou a luz no fim do túnel
Do mar do mundo, no fim de algo
Todas as luzes apagaram-se
Então o escuro de fora mistura-se
Ao escuro de dentro
E aos poucos tudo vai caindo caindo caindo
E eu caindo e o farol esquecido e o barco
Náufragos que não conheceram um porto
Porque alguém esqueceu do farol...
Lya Luft - Para Não Dizer Adeus
A certeza vela atrás de um muro
ou dorme num poço
onde nada se escuta ou avista.
Sempre que partes, morro um pouco
por não saber se retornas.
Minhas mãos doem de tanto abrir-se
para que vás tranquilo.
Só assim hás de querer estar comigo:
sem que eu insista.
(Fingir que te deixo livre
é um jeito egoísta
de amar.)
ou dorme num poço
onde nada se escuta ou avista.
Sempre que partes, morro um pouco
por não saber se retornas.
Minhas mãos doem de tanto abrir-se
para que vás tranquilo.
Só assim hás de querer estar comigo:
sem que eu insista.
(Fingir que te deixo livre
é um jeito egoísta
de amar.)
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
"Queria consultar búzios, runas, pai, mãe, de santo ou não, qualquer coisa que me APONTASSE O RUMO."
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Ervas daninhas
Com um suspiro, deixa cair de si
Uma, duas, três gotas de orvalho.
Naquele jardim que tivera girassóis e mel
Agora, ervas daninhas.
Uma rosa triste, antes vermelha,
Deixa-se morrer junto ao que ainda vive infeliz ali.
O rosto daquela criança de olhos azuis,
Transformando o sorriso em pranto doloroso;
Da intenção de um carinho, sangue
E uma dolorosa lembrança
De ver o rosto amado virar lágrimas e ódio.
Por tanto tempo esperando o desabrochar,
Dias e dias cuidando, amando, zelando a flor tão admirada,
E ela, apaixonada, preparando-se para mostrar-se cada dia mais linda
Para quem sabe um dia, merecer um toque e amor.
Não poderiam imaginar um desfecho assim.
O encontro,
Levou os lábios às pétalas da rosa,
Que correspondeu-lhe aveludada.
E em um toque mais intenso, feriu-lhe um de seus espinhos,
Sem perdão, não se machuca a quem ama.
Foi-se embora, deixou-a sozinha,
Abandonou o jardim.
Uma, duas, três gotas de orvalho.
Naquele jardim que tivera girassóis e mel
Agora, ervas daninhas.
Uma rosa triste, antes vermelha,
Deixa-se morrer junto ao que ainda vive infeliz ali.
O rosto daquela criança de olhos azuis,
Transformando o sorriso em pranto doloroso;
Da intenção de um carinho, sangue
E uma dolorosa lembrança
De ver o rosto amado virar lágrimas e ódio.
Por tanto tempo esperando o desabrochar,
Dias e dias cuidando, amando, zelando a flor tão admirada,
E ela, apaixonada, preparando-se para mostrar-se cada dia mais linda
Para quem sabe um dia, merecer um toque e amor.
Não poderiam imaginar um desfecho assim.
O encontro,
Levou os lábios às pétalas da rosa,
Que correspondeu-lhe aveludada.
E em um toque mais intenso, feriu-lhe um de seus espinhos,
Sem perdão, não se machuca a quem ama.
Foi-se embora, deixou-a sozinha,
Abandonou o jardim.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Cordas Cor-de-Lua
Aqui, sob o céu sem luz alguma
Solidão ao relento,
Acordes desesperados
Quebram o silêncio em cacos
Enquanto o músico vai-se
Perdendo, pedaços de sentimento.
Na madrugada, seguem
Acordes dolorosos a soar,
Melodias compostas em
Inúmeras noites inpiradas e expiradas.
Calam-se as notas,
Aquietam-se as cordas,
O homem fecha os olhos outra vez.
Violão repousa ao lado,
Lua cheia para olhos
Que só conheceram noites de completa escuridão.
Solidão ao relento,
Acordes desesperados
Quebram o silêncio em cacos
Enquanto o músico vai-se
Perdendo, pedaços de sentimento.
Na madrugada, seguem
Acordes dolorosos a soar,
Melodias compostas em
Inúmeras noites inpiradas e expiradas.
Calam-se as notas,
Aquietam-se as cordas,
O homem fecha os olhos outra vez.
Violão repousa ao lado,
Lua cheia para olhos
Que só conheceram noites de completa escuridão.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Só, chovendo
Perto, vento ou ventania
Seria o reflexo, imagem no espelho
Versos, silêncio, uma estranha sensação.
Mais perto e inverso,
Retorno, morno, sóbrio,
Mais vinho! Trazes teu olhar.
Perdes, vives, foges,
Menos silencioso, leve,
Ainda assim arde, fera em teu ser.
Sendo fogo, aquece, mas congelas.
Espera, não te vais
Invades, bates, não olhando para trás.
Trazes esperança, dançando junto ao Tempo,
Ao templo, refúgio, esconderijo.
Abrigo, encontro em ti.
Segura minha mão, não te vais de novo
Caindo sobre os corpos, telhados encardidos,
Como chuva.
Seria o reflexo, imagem no espelho
Versos, silêncio, uma estranha sensação.
Mais perto e inverso,
Retorno, morno, sóbrio,
Mais vinho! Trazes teu olhar.
Perdes, vives, foges,
Menos silencioso, leve,
Ainda assim arde, fera em teu ser.
Sendo fogo, aquece, mas congelas.
Espera, não te vais
Invades, bates, não olhando para trás.
Trazes esperança, dançando junto ao Tempo,
Ao templo, refúgio, esconderijo.
Abrigo, encontro em ti.
Segura minha mão, não te vais de novo
Caindo sobre os corpos, telhados encardidos,
Como chuva.
Ausência - Vinícius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Era, já
Perdi meus jeitos,
Aqueles que eu gostava mais,
Ao menos.
O mesmo espelho, a mesma pessoa,
Uma imagem refletida tão diferente,
E nem estou sendo nostálgica,
É que deu saudade mesmo.
Uma pessoa vestida de arco-íris
Se destaca no meio dessa gente toda,
Esses nós que vão perdendo as cores,
Desbotando para andar mais rápido,
Acompanhar o movimento da roda.
Não, para ciranda não há tempo,
Mesmo que ainda conseguisse rodar daquele jeito.
Dá saudade de ser o que eu era,
Mesmo que tivesse desaprendido o jeito,
Mesmo se fosse possível
Ver de novo todas aquelas cores bonitas
Minhas, alheias, em mim, de mim.
Aqueles que eu gostava mais,
Ao menos.
O mesmo espelho, a mesma pessoa,
Uma imagem refletida tão diferente,
E nem estou sendo nostálgica,
É que deu saudade mesmo.
Uma pessoa vestida de arco-íris
Se destaca no meio dessa gente toda,
Esses nós que vão perdendo as cores,
Desbotando para andar mais rápido,
Acompanhar o movimento da roda.
Não, para ciranda não há tempo,
Mesmo que ainda conseguisse rodar daquele jeito.
Dá saudade de ser o que eu era,
Mesmo que tivesse desaprendido o jeito,
Mesmo se fosse possível
Ver de novo todas aquelas cores bonitas
Minhas, alheias, em mim, de mim.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Quase-coisas
Na noite mais fria
Resolveste atirar-te ao mundo
De um abismo profundo
Ao outro extremo da não-lucidez.
Pálida, essa noite é nossa
Eu, quase-morte
E teu corpo, pulsando
Agonizante por entre meus seios,
Queimando por inteiro
Fogo ou gelo, talvez uma bebida forte
Na carne, ser humano dói, o ser.
Em busca de algum sono profundo,
Repousa a cabeça em meus braços,
Quem sabe.
Resolveste atirar-te ao mundo
De um abismo profundo
Ao outro extremo da não-lucidez.
Pálida, essa noite é nossa
Eu, quase-morte
E teu corpo, pulsando
Agonizante por entre meus seios,
Queimando por inteiro
Fogo ou gelo, talvez uma bebida forte
Na carne, ser humano dói, o ser.
Em busca de algum sono profundo,
Repousa a cabeça em meus braços,
Quem sabe.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Marcha contra o sol
O sol frita-lhe as costas,
Em um deserto de pessoas
Também desertas.
As bolhas e feridas
Fazem parte da jornada,
Sabias, desde a partida,
Normal é lutar
Por causas alheias
Que na verdade, valem nada.
Balança as medalhas
Contra a areia escaldante,
Contra o grito do teu comandante,
As vidas que deixastes para trás
Agora caem sobre ti.
Aumenta o peso sobre teus ombros,
Carregas mortes, falta de honra e de coragem.
Selvagem, o homem e seu mundo,
Aquele que faz a guerra,
Aquele que luta e foge,
De uma arma letal ou um fator natural.
Está o homem a esperar um leito.
General, soldado, caminhante,
Marchadores delirantes,
Pais e filhos de uma raça febril.
Morre ao fim do dia,
Pela doença geral, insolação ou desgosto
Mais um dos grãos
Que compõem esse deserto civil.
Em um deserto de pessoas
Também desertas.
As bolhas e feridas
Fazem parte da jornada,
Sabias, desde a partida,
Normal é lutar
Por causas alheias
Que na verdade, valem nada.
Balança as medalhas
Contra a areia escaldante,
Contra o grito do teu comandante,
As vidas que deixastes para trás
Agora caem sobre ti.
Aumenta o peso sobre teus ombros,
Carregas mortes, falta de honra e de coragem.
Selvagem, o homem e seu mundo,
Aquele que faz a guerra,
Aquele que luta e foge,
De uma arma letal ou um fator natural.
Está o homem a esperar um leito.
General, soldado, caminhante,
Marchadores delirantes,
Pais e filhos de uma raça febril.
Morre ao fim do dia,
Pela doença geral, insolação ou desgosto
Mais um dos grãos
Que compõem esse deserto civil.
Hoje olhei bem para ela, e disse assim:
"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você..."
Envolta em meus braços,
Minha guitarra.
"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você..."
Envolta em meus braços,
Minha guitarra.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Passou, passou...
Pois bem, falei sem medo
Pela primeira vez, fiquei surpresa
Não esperava de ti esse tipo de coisa,
E como escrevi a alguns meses atrás
Acredito realmente que
Certas coisas - pessoas -
Nunca mudam.
Com algum tipo de alívio, sei lá,
Fecho essa página novamente.
Dessa vez não fica o anseio por
Um recado, uma chamada perdida,
Não que eu esteja negando
O que um dia eu quis, e muito
Mas foi-se, não chegou a ter um enredo.
Um dia cheguei a pensar
Que morreria pelas tuas mãos.
De certa maneira, algo morreu.
[suspiro aliviado e alegre]
Pela primeira vez, fiquei surpresa
Não esperava de ti esse tipo de coisa,
E como escrevi a alguns meses atrás
Acredito realmente que
Certas coisas - pessoas -
Nunca mudam.
Com algum tipo de alívio, sei lá,
Fecho essa página novamente.
Dessa vez não fica o anseio por
Um recado, uma chamada perdida,
Não que eu esteja negando
O que um dia eu quis, e muito
Mas foi-se, não chegou a ter um enredo.
Um dia cheguei a pensar
Que morreria pelas tuas mãos.
De certa maneira, algo morreu.
[suspiro aliviado e alegre]
terça-feira, 23 de junho de 2009
Sangue ou vinho
Deixas pisoteadas
As flores do caminho,
Ponha você mesmo o veneno
No cálice de vinho.
Bebes o sangue da rosa
Por puro prazer,
Vingança doce
Vê-la morrer.
Mais uma taça
Ao seu senhor,
Um peito cravejado de espinhos
Não sente dor.
As flores do caminho,
Ponha você mesmo o veneno
No cálice de vinho.
Bebes o sangue da rosa
Por puro prazer,
Vingança doce
Vê-la morrer.
Mais uma taça
Ao seu senhor,
Um peito cravejado de espinhos
Não sente dor.
Minha memória fria
Não sei se é remorso,
Saudade das coisas que eu deixei passar,
Deixei de fazer, dos
Meios-sem-fim, sem pontos definidos,
Essas fotos sem brilho e sem cor
Mas que trazem tanta dor
Por serem assim,
Não-coloridas.
Dói toda essa falta de vida,
Apesar do intenso desespero
Que sempre senti tentando viver.
Mas dá saudade,
Dessas coisas não-vividas
Que hoje fazem tanta falta.
Não sei o que fere mais,
Se é a certeza do tempo perdido
Que, apesar de parecer presente,
Já ficou para trás,
Ou a incrível semelhança
Doa meus dias atuais
Com as lembranças;
Apesar da névoa gelada
Não voltam mais.
Saudade das coisas que eu deixei passar,
Deixei de fazer, dos
Meios-sem-fim, sem pontos definidos,
Essas fotos sem brilho e sem cor
Mas que trazem tanta dor
Por serem assim,
Não-coloridas.
Dói toda essa falta de vida,
Apesar do intenso desespero
Que sempre senti tentando viver.
Mas dá saudade,
Dessas coisas não-vividas
Que hoje fazem tanta falta.
Não sei o que fere mais,
Se é a certeza do tempo perdido
Que, apesar de parecer presente,
Já ficou para trás,
Ou a incrível semelhança
Doa meus dias atuais
Com as lembranças;
Apesar da névoa gelada
Não voltam mais.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Sobre alguém
Já lhe disse algumas coisas
Sobre as minhas idealizações,
Minhas vidas bem desenhadas.
Hoje tudo foge, corre,
Não consigo acompanhar meus próprios passos.
De qualquer maneira, aqui estamos, de mãos dadas.
CBP
Já lhe disse algumas coisas
Sobre as minhas idealizações,
Minhas vidas bem desenhadas.
Hoje tudo foge, corre,
Não consigo acompanhar meus próprios passos.
De qualquer maneira, aqui estamos, de mãos dadas.
CBP
segunda-feira, 8 de junho de 2009
"(...) A memória tem sempre essa tendência otimista de filtrar as lembranças más para deixar só o verde, o vivo. Antigamente, sempre era melhor, ainda que não fosse. Talvez porque já esteja, lá, tudo solucionado e a gente possa se ver, no tempo, como quem vê uma personagem num livro ou filme: aconteça o que acontecer, há um fim definido, predeterminado. Essa espécie de improvisação do agora, do que está sendo moldado, causa muito mais angústia. Não temos, como no samba, a menor idéia de como será o amanhã."
"Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo."
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Metade - Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
"O vento jogou seus cabelos ruivos sobre a cara. Sacudiu a cabeça para afastá-los e saiu andando lenta em busca de uma rua sem carros, de uma rua com árvores, uma rua em silêncio onde pudesse caminhar devagar e sozinha até em casa. Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu-azul - daquela não-dor, afinal."
terça-feira, 19 de maio de 2009
"Perdeu-se dele logo após encontrá-lo, numa véspera de São João. Não sabia que ia perdê-lo, não sabia sequer que iria encontrá-lo. Não sabia também da véspera - junho, São João. Mas foi assim que aconteceu. Não estava um pouco bêbado, nem tinha fumado ou cheirado absolutamente nada - o que talvez justificasse, tantas negações, encontrá-lo assim, de repente e também perdido entre a Pantera Loura Disposta a Tudo Por um Status Mais Elevado, a Lésbica Publicamente Assumida e o Patriarca Meio Sórdido Fugido Das Páginas De Satyricon. Perdidos, perderam-se, perdeu-se - e foi pelos viadutos que se perdeu. Um livro nas mãos, debatendo-se para não ser afogado, indeciso entre voltar e seguir em frente, porque havia fogueiras pela noite, embora ainda não soubesse delas. Consultando efemérides mais tarde, descobriria que a Lua, às vésperas do minguante, transitava por Peixes - o que explicaria, mas só em parte, nubladas espiritualidades, presságios ilusórios, embaçamentos. Ilusão, Netuno."
"[...]mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes..."
"Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."
"E te imagino então parado sozinho sobre a faixa interminável de areia, o vento que bate em teu rosto, as mãos com os dedos roxos de frio enfiadas até o fundo dos bolsos, o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que me olha agora (...) à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos..."
segunda-feira, 18 de maio de 2009
"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido"
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Eu não conseguiria, eu não...
Já passei do estágio de
Desesperar-me, descontar a
Minha agonia fazendo absurdos.
Dessa vez, está sendo mais
Difícil e intenso do que
Algum dia sequer imaginei
Que poderia ser.
Passam das 23 horas,
As horas mais doloridas, cinzas e
Doentias que lembro
De ter passado, um dia
Passa, ontem tentei conformar-me
Usando a idéia de que já perdi
Muitas vezes, fui jogada de
Inúmeros lugares por muitas pessoas,
Mas dessa vez foi mais cruel,
Não sei quanto tempo eu tenho, mas
É tempo demais por sofrer pois
Eu sei, jamais senti coisa assim
Outra vez na vida, coisa que nem eu sei como
Define-se direito,
Fico definhando aqui sem teu abraço,
Teu corpo, teu beijo, cheiro,
Esse seu conjunto real e complexo,
Eu não consegui te dizer hoje que eu sabia,
Não iria conseguir superar se acontecesse
O que aconteceu ontem.
Desesperar-me, descontar a
Minha agonia fazendo absurdos.
Dessa vez, está sendo mais
Difícil e intenso do que
Algum dia sequer imaginei
Que poderia ser.
Passam das 23 horas,
As horas mais doloridas, cinzas e
Doentias que lembro
De ter passado, um dia
Passa, ontem tentei conformar-me
Usando a idéia de que já perdi
Muitas vezes, fui jogada de
Inúmeros lugares por muitas pessoas,
Mas dessa vez foi mais cruel,
Não sei quanto tempo eu tenho, mas
É tempo demais por sofrer pois
Eu sei, jamais senti coisa assim
Outra vez na vida, coisa que nem eu sei como
Define-se direito,
Fico definhando aqui sem teu abraço,
Teu corpo, teu beijo, cheiro,
Esse seu conjunto real e complexo,
Eu não consegui te dizer hoje que eu sabia,
Não iria conseguir superar se acontecesse
O que aconteceu ontem.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
De Pequenas Epifanias, ao som de Led Zeppelin
Dia decepcionante e cruel. Pessoas são cruéis, é verdade, nesse momento esqueço da minha condição 'pessoal' e me deparo com meu livro "Pequenas Epifanias", do Caio Fernando Abreu.
Eis um fragmento de Mais uma carta para além dos muros:
"Amanhã à meia-noite volto a nascer. Que seja suave, perfumado nosso parto entre ervas na manjedoura. Que sejamos doces com nossa mãe Gaia, que anda morrendo de morte matada por nós."
Eis um fragmento de Mais uma carta para além dos muros:
"Amanhã à meia-noite volto a nascer. Que seja suave, perfumado nosso parto entre ervas na manjedoura. Que sejamos doces com nossa mãe Gaia, que anda morrendo de morte matada por nós."
Dias antes de hoje
Quietinha, perdida no meu canto,
Estava encostada na parede,
Como sempre faço, esperando passarem as horas
Para poder pegar minhas coisas
E sair correndo, ir embora.
Seria uma tarde normal, monótona,
De mais um dia nostálgico e cinza
Mas aí, não lembro exatamente o modo,
Tu surgiste.
E eu ali, no meu canto,
Minha vida estava daquele jeito de sempre,
A poeira já tinha se acalmado
Novamente, mas tu surgiste.
Tão de repente como surgiste,
Veio a distância pairar entre nós.
Agora, volto ao meu canto
Já que me ignoras, eu volto
A ser o que eu era antes -
Perdida, no meu canto -
Talvez esperando que tu,
De alguma maneira,
Surgisses.
CBP
Estava encostada na parede,
Como sempre faço, esperando passarem as horas
Para poder pegar minhas coisas
E sair correndo, ir embora.
Seria uma tarde normal, monótona,
De mais um dia nostálgico e cinza
Mas aí, não lembro exatamente o modo,
Tu surgiste.
E eu ali, no meu canto,
Minha vida estava daquele jeito de sempre,
A poeira já tinha se acalmado
Novamente, mas tu surgiste.
Tão de repente como surgiste,
Veio a distância pairar entre nós.
Agora, volto ao meu canto
Já que me ignoras, eu volto
A ser o que eu era antes -
Perdida, no meu canto -
Talvez esperando que tu,
De alguma maneira,
Surgisses.
CBP
Falando em "On the road"
"Someday we'll meet, and you'll dry all my tears, and whisper sweet, little things in my ear, hugging and a-kissing, oh what we've been missing, Lover Man, oh where can you be..."
(Lover Man - Billie Holliday)
Foi-se.
(Lover Man - Billie Holliday)
Foi-se.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
"O vendedor de sonhos"
Dia 10 foi o último dia da Feira do livro em Santa Maria. No sábado, dia 09, consegui ir dar uma olhada, e comprar alguns livros. Um dos meus 'investimentos' foi "O vendedor de sonhos", Augusto Cury.
Estou acabando de ler "On the road", Jack Kerouac, por isso não comecei a ler "O vendedor de sonhos" ainda, mas encontrei em uma observada rápida um trecho que achei muito interessante, e que compartilho agora.
É uma canção, encerrando o primeiro volume do livro:
"Sou apenas um caminhante
Que perdeu o medo de se perder
Estou seguro de que sou imperfeito
Podem me chamar de louco
Podem zombar das minhas idéias
Não importa!
O que importa é que eu sou um caminhante
Que vende sonhos para os passantes
Não tenho bússola nem agenda
Não tenho nada, mas tenho tudo
Sou apenas um caminhante
À procura de mim mesmo."
Estou acabando de ler "On the road", Jack Kerouac, por isso não comecei a ler "O vendedor de sonhos" ainda, mas encontrei em uma observada rápida um trecho que achei muito interessante, e que compartilho agora.
É uma canção, encerrando o primeiro volume do livro:
"Sou apenas um caminhante
Que perdeu o medo de se perder
Estou seguro de que sou imperfeito
Podem me chamar de louco
Podem zombar das minhas idéias
Não importa!
O que importa é que eu sou um caminhante
Que vende sonhos para os passantes
Não tenho bússola nem agenda
Não tenho nada, mas tenho tudo
Sou apenas um caminhante
À procura de mim mesmo."
terça-feira, 5 de maio de 2009
Bem
Bem,
Não sejas assim
Como todos os outros.
Estúpido, vulgar, imbecil.
Dou-te a chance,
Vamos 'metamorfosear' juntos,
Sair voando daqui,
Para aproveitar
Nossa curta existência.
A vida é assim,
Vai ficar tudo...
CBP
Não sejas assim
Como todos os outros.
Estúpido, vulgar, imbecil.
Dou-te a chance,
Vamos 'metamorfosear' juntos,
Sair voando daqui,
Para aproveitar
Nossa curta existência.
A vida é assim,
Vai ficar tudo...
CBP
Espero
Deste lado da ponte
Espero
Pois tenho medo
Que, mais uma vez
Tudo desabe
E eu acabe
Caindo novamente.
A um passo
Do começo de alguma coisa
Mas um passo
Pode acabar
Com tudo, então
Espero
Aqui desse lado,
Até que alguém
Venha e leve-me,
Segurando minha mão.
Mas já faz tempo que
Espero
E ninguém veio, ainda
Arriscar-se a dar um passo
E cair no abismo
Como eu deveria fazer.
CBP
Espero
Pois tenho medo
Que, mais uma vez
Tudo desabe
E eu acabe
Caindo novamente.
A um passo
Do começo de alguma coisa
Mas um passo
Pode acabar
Com tudo, então
Espero
Aqui desse lado,
Até que alguém
Venha e leve-me,
Segurando minha mão.
Mas já faz tempo que
Espero
E ninguém veio, ainda
Arriscar-se a dar um passo
E cair no abismo
Como eu deveria fazer.
CBP
terça-feira, 28 de abril de 2009
Maldita
Despeja teu grito
Enquanto ainda há voz,
Ninguém vai ouvir.
A vida toda soubes
Que ninguém sentiria por ti.
Nunca teves abrigo,
Luz ou calor humano.
Um pedaço de carne em putrefação,
Nada mais que isto.
Acabas com essa existência maldita
Foi-se a vida
Fica a alma escura
vagando ainda pelo mundo.
Enquanto ainda há voz,
Ninguém vai ouvir.
A vida toda soubes
Que ninguém sentiria por ti.
Nunca teves abrigo,
Luz ou calor humano.
Um pedaço de carne em putrefação,
Nada mais que isto.
Acabas com essa existência maldita
Foi-se a vida
Fica a alma escura
vagando ainda pelo mundo.
Comum
Eu não vou
Levantar e ir abrir a cortina
Pra ver se entra um pouco de
Luz aqui
Nesse canto
Passa um dia, três
Da manhã
Não gosto de sair
Pra ver pessoas,
Eu detesto sentir
A vida passando
Por mim somente como
Se fosse comum ser alguém
Infeliz.
CBP
Levantar e ir abrir a cortina
Pra ver se entra um pouco de
Luz aqui
Nesse canto
Passa um dia, três
Da manhã
Não gosto de sair
Pra ver pessoas,
Eu detesto sentir
A vida passando
Por mim somente como
Se fosse comum ser alguém
Infeliz.
CBP
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Se tivesse um penhasco aqui perto, já era.
Tenho essas vontades, às vezes,
De sumir, fugir, acabar com tudo.
Isso ocorre com certa frequência, até.
Não que eu realmente acredite
Que me jogar de um penhasco, da sacada ou
Qualquer outra coisa parecida
Seja realmente uma solução,
Não que eu acredite que
Há solução.
Tenho essas vontades, às vezes,
De sumir, fugir, acabar com tudo.
Isso ocorre com certa frequência, até.
Não que eu realmente acredite
Que me jogar de um penhasco, da sacada ou
Qualquer outra coisa parecida
Seja realmente uma solução,
Não que eu acredite que
Há solução.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
"Eu, alquimista de mim mesmo. Sou um homem que se devora? Nao, é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos meus modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-em como posso entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.
Vivo em escuridão da alma, e o coração pulsando, sôfrego pelas futuras batidas que não podem parar."
Vivo em escuridão da alma, e o coração pulsando, sôfrego pelas futuras batidas que não podem parar."
"A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."
(Água Viva)
(Água Viva)
terça-feira, 21 de abril de 2009
"Escuta aqui, cara, tua dor não me importa. Estou cagando montes pras tuas memórias, pras tuas culpas, pras tuas saudades. As pessoas estão enlouquecendo, sendo presas, indo para o exflio, morrendo de overdose e você fica aí pelos cantos choramingando o seu amor perdido. Foda-se o seu amor perdido. Foda-se esse rei-ego absoluto. Foda-se a sua dor pessoal, esse seu ovo mesquinho e fechado."
Caio Fernando Abreu in "Morangos Mofados"
"Esperas uma solução para estes teus olhos que não nasceram assim, verdes. E que dia a dia se farão mais claros até que não consigas mais olhar para o mar, sem pensares que de certa forma essa cor te foi dada por ele. E até que não consigas mais distinguir outra coisa que não seja verde. E até que assa claridade deixe um dia de te cegar, para que mergulhes no escuro irremediável da morte."
Caio Fernando Abreu in "Dama da noite"
"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?"
quinta-feira, 2 de abril de 2009
"As paredes quase oscilavam, e ninguém, mas ninguém percebia que a sua raiva era um amor muito bem disfarçado, para que ninguém risse, para que ninguém o olhasse surpreso com a grandeza de seu coração."
Vagando entre a cruz da mentira
E a futilidade,
Enquanto o maldito ‘rebanho’
Passa açoitando a razão.
Eu quero fugir, sair daqui, mas não posso
Eu estou presa, e não existem grades nessa prisão.
Eles dizem que eu não serei perdoada,
Enquanto está sendo construído mais um templo de ouro.
Os corvos sobrevoam a multidão,
E eu sou o mau-agouro.
Minha carne está preparada,
Aliás, desde que por algum motivo nasci.
Eu vou pra fogueira
Por não ter permitido que furassem meus olhos.
Livro-me desse castigo,
Porque morrer mesmo, a tempos já morri.
CBP
E a futilidade,
Enquanto o maldito ‘rebanho’
Passa açoitando a razão.
Eu quero fugir, sair daqui, mas não posso
Eu estou presa, e não existem grades nessa prisão.
Eles dizem que eu não serei perdoada,
Enquanto está sendo construído mais um templo de ouro.
Os corvos sobrevoam a multidão,
E eu sou o mau-agouro.
Minha carne está preparada,
Aliás, desde que por algum motivo nasci.
Eu vou pra fogueira
Por não ter permitido que furassem meus olhos.
Livro-me desse castigo,
Porque morrer mesmo, a tempos já morri.
CBP
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